A tecnologia microfluídica pode ser utilizada durante o ciclo de uso e reúso da água como uma das soluções para que seja alcançada a disponibilidade hídrica e gestão sustentável da água e do saneamento. A técnica permite a manipulação de quantidades minúsculas de líquidos, agilizando a detecção, separação e filtragem de substâncias.
A defesa do uso dessa tecnologia foi feita em artigo pelos pesquisadores brasileiros Harrison Santana e Osvaldo Taranto (Unicamp) e João Silva Junior (Universidade Federal do ABC), apresentado durante o Simpósio Internacional de 2020 sobre Água, Ecologia e Meio Ambiente (ISWEE 2020), que aconteceu na China.
Os pesquisadores desenharam no trabalho um roteiro para o ciclo denominado “A Via Hídrica”, na intenção identificar as etapas fundamentais ao longo do uso e reúso da água para distintas atividades humanas, como retirada, tratamento, análise, uso e reutilização.
Eles partiram da constatação pelo Banco Mundial de que cerca de 45 milhões de metros cúbicos de água são desperdiçados diariamente nos países em desenvolvimento, consumindo mais de US $ 3 bilhões por ano. Segundo o Bird, há perda de disponibilidade hídrica devido às mudanças climáticas, contaminação de mananciais devido aos baixos níveis de saneamento e perdas por vazamentos na tubulação do sistema de distribuição.
Para se atingir o objetivo SGD6 de garantir a disponibilidade e uma gestão sustentável da água e do saneamento para todos é, portanto, necessário buscar novas tecnologias e a microfluídica é passível de ser utilizada ao longo deste ciclo.
Segundo estudo, os sistemas micrométricos, também chamados de microdispositivos, permitem o manuseio de pequenas quantidades de reagentes e amostras. Também fornecem desempenho de reação superior com tempos de residência mais curtos e melhor controle da concentração de espécies químicas e altas taxas de transferência de calor e massa.
A microfluídica tem recebido grande atenção no tratamento de água e efluentes. Microdispositivos podem ser usados para tarefas analíticas, integrando e automatizando várias tarefas de laboratório em um pequeno chip, permitindo a medição in situ e o monitoramento dos parâmetros de qualidade da água. Além disso, esses microdispositivos podem ser empregados em estágios secundários e terciários de tratamento de água.
A íntegra do artigo pode ser acessada em: IOPScience